inicio 
Matérias
Bienal do Livro 2007
Amigos para sempre
Regina Zappa conversa sobre João Cabral de Melo Neto com José Castello , escritor e crítico literário.
 
Literatura na Rede
Beatriz Resende conversa com Cecília Giannetti, Ricardo Noblat, Ricardo Neves e Dodô Azevedo sobre literatura na internet.
 
Questão de Intimidade
Santiago Nazarian, Cristovão Tezza e Kledir Ramil conversam sobre a interiorização na produção literária. Romantismo, objetividade e subjetividade.
 
Atras dessa lente...
Arthur Dapieve conversa com Herbert Vianna. Bi e Maurício Valadares no lançamento do livro Paralamas do Sucesso.
 
Uma arquitetura humana
André C. do Lago, Ricardo Legorreta e Caíque Niemeyer - no lançamento dos livros Oscar Niemeyer - Uma Arquitetura da Sedução e Ricardo Legorreta - Sonhos Construídos.
 
Líquido e certo
Alberto Goldin, Ana Beatriz Silva, Içami Tiba, Fabrício Carpinejar e Zíbia Gasparetto falam sobre a juventude na atualidade.
 
 
Escrevem aqui

sergiofonseca
ane aguirre

 
Sites Parceiros
 
 
 
 
Uma arquitetura humana
Por Ane Aguirre
[Fila para a palestra de O. Niemeyer - Foto: Sergio Fonseca]

Bienal do Rio: três filas estavam formadas em frente ao auditório Machado de Assis, às 17 horas desta terça-feira. Uma para portadores dos convites azuis da Embratel, outra para as pessoas que já tinham retirado sua senha e outra para o público que não se importaria em assistir de pé ao Encontro de Mestres - Oscar Niemeyer e Ricardo Legorreta. Bom humor não faltou ao público, especialmente aos portadores das mãos vazias de senhas e convites: "É para ver o Niemeyer, então vale à pena", dizia sorrindo uma das moças da terceira fila, enquanto o moço alto brincava dizendo que ele devia estar na fila dos idosos porque já tinha 55 anos. Muito pouco, menino, se comparar aos cem anos que completará um dos mestres. Mas antes mesmo que fossem abertas as portas do auditório, a notícia já corria: "Ele não virá". Imposssível, alguns incrédulos afirmavam que ele já estava ali no Riocentro. Por via das dúvidas os crédulos permaneceram e as filas aumentaram. De gente e de expectativas. Quando a entrada foi liberada, a fila era uma só entre crédulos e incrédulos e todos já tinham certeza pois tinham visto entrar Ricardo Legorreta, André Corrêa do Lago e Caíque Niemeyer, representante do mestre Oscar.

[Auditório lotado - Foto: Sergio Fonseca]Quem não desistiu até este momento, ganhou muito com o encontro. A ausência foi lida em bilhete límpido enviado por Niemeyer: "Gostaria de estar presente". E de alguma forma ele estava. Não apenas pela presença de seu neto, ou pelo belíssimo livro de André Corrêa do Lago: Oscar Niemeyer - Uma Arquitetura da Sedução, ou pela exposição multimídia organizada no estande da Embratel. O arquiteto estava presente naquela simples expectativa que cada um trouxe consigo para o Riocentro - tão de acordo com a fala do mestre na voz de Caíque: "Ao meu ver, a vida é mais importante do que a arquitetura. O nosso empenho, no momento, é acabar com o homem especialista, que pouco lê e se interessa apenas pelos assuntos da profissão, alheio aos problemas da vida, a esta miséria e violência que se multiplicam por toda a parte".

[Foto: Sergio Fonseca]O "nosso empenho" acabava por incluir quem estava de pé no fundo da sala, que dividida ao meio por um biombo muito bonito, ficava menor, mas não menos acolhedora a quem não estivesse alheio ao discurso. Por fim, mestre Oscar também estaria presente na voz de mestre Ricardo que soube preencher olhos e ouvidos com sua arquitetura para os que vivem, para os que ocupam o espaço, para os que precisam da luz da janela durante uma refeição. Legorreta pede perdão por não falar português e pede perdão para fazer uma correção ao que dissera André Corrêa sobre Brasil e México em sua apresentação: "Não somos dois países interessantes: somos os melhores países do mundo". Foi imediatemente perdoado com aplausos.

Graças à vida com seu pai que o levou por todo o México, Legorreta se acostumou a ver uma arquitetura que é feita pelo povo, - pessoas que não são arquitetos - uma arquitetura de mistério e luz, que não necessita de determinadas tecnologias: "Se eu pergunto a essas pessoas porque abrem uma janela em determinado lugar, elas me respondem: porque por ali entra o sol quando tomo café". Essa é a arquitetura humana.

[André C. do Lago, Ricardo Legorreta e Caíque Niemeyer - Foto: Sergio Fonseca]André Corrêa do Lago observa que tanto Legorreta quanto Niemeyer dialogam com um público amplo e não se dirigem apenas a outros arquitetos. Legorreta afirma que seu trabalho é dirigido às pessoas que vão viver nos espaços: "Me preocupa quando minha arquitetura agrada a outros arquitetos demasiadamente ". Arquitetura é uma profissão difícil e precisa mesmo ser difícil, as coisas difíceis são as boas. Ele lembra que "Deus nos deu oportunidade extraordinária de melhorar sua obra; quase sempre a perdemos", referindo-se à necessária relação da arquitetura com a natureza. Para Legorreta Brasil e México possuem uma vantagem sobre os países mais desenvolvidos, ambos contam com a imaginação dos pobres. Com muito dinheiro é mais fácil fazer uma arquitetura que não respeita a natureza e que não seja sustentável. Como nós não temos dinheiro, precisamos observar a posição do sol antes da construção, ao contrário dos países ricos que podem deixar que entre o sol e o calor para depois inventar sistemas de refrigeração.

As pessoas e suas expectativas não lembravam mais do desenho das filas ao saírem do auditório e tomarem o caminho de casa. No caminho de volta nos perguntávamos de que eram feitas as nossas construções e de quantas janelas precisaríamos para iluminar nossos sonhos.

Os livros:

- Oscar Niemeyer - Uma Arquitetura da Sedução

- Ricardo Legorreta - Sonhos Construídos

Coleção Educação do Olhar, criada pela BEI Editora e patrocinada pela Embratel. De formato diferenciado, os livros propõem uma nova maneira de leitura, cada volume é composto por dois cadernos, com texto e fotografias, que devem ser abertos simultaneamente.

Exposição multimídia:

No espaço, amplo e moderno, projetado pelo arquiteto Álvaro Razuk, a Embratel apresenta uma exposição high tech, com visualização em touch-screen, dos principais trabalhos dos dois arquitetos ao longo de suas carreiras, além de disponibilizar, em primeira mão, o conteúdo dos novos livros. A exposição utiliza recursos multimídia, aliando a tecnologia da Embratel ao incentivo à cultura.

Publicado em 18.09.2007
Paralelos; Globo On
    contato@recorte.org